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A Transversalidade do Design

Enviado por: Gautio | Em: 7 / novembro / 2011 | 0 Comentários

De hoje a 9 de novembro estará acontecendo a Brasil Design Week, no HSM Management. E como era de se esperar, nós estávamos lá.
Hoje, assisti uma palestra muito bacana com a Beth Lula do Comitê Rio 2016: A Transversalidade do Design, onde ela discorreu em um breve pout-pourri de cases de Olimpíadas, a força e a importância dessas marcas, principalmente para o país sede.

A seguir, um breve resumo do que rolou por lá:

 

Uma marca para Olimpíadas deve partir das premissas

RESPEITO  •  EXCELÊNCIA  •  AMIZADE
A marca oficial das Olímpiadas é a marca não comercial mais conhecida mundialmente.

Historicamente cada edição dos jogos deixa um legado de transformação na cidade sede. E por isso mesmo, cada edição tem o compromisso de entregar a marca com mais valor para a edição seguinte.

Em Pequim a transmissão foi feita para mais de 4,3 bilhões de pessoas.

A marca tem o compromisso de criar um laço afetivo, onde as pessoas acabam comprando por associação de imagens.

Tem tanta visibilidade que só aparece a marca, não pode aparecer anuncios.

 

DESIGN NOS JOGOS OLÍMPICOS

Como o design agrega valor a marca
- Manual de identidade -  para definição do uso da marca.
- Produtos – em pequim, mais de 20 mil produtos licenciados
- Identidade do evento – cenografia, medalhas, tocha
- Sinalização, equipamentos esportivos
- Construção de submarcas

O desafio é construir uma marca de valor que tem data pra nascer e morrer…

É preciso “Vestir a casa” para receber o mundo todo e o design funciona como uma ferramenta para isso.

Você não da a maior festa do mundo sem se vestir para isso.
John Moore Diretor de mkt de Sydney 2000

Os Jogos Panamericanos Rio foi um dos melhores em aplicação de marca.

A tendência de design da epoca é fator decisivo na construção da marca:

 

México

Identidade baseada em pictogramas, iconograficos que se tornaram uma tendência mundial.

A marca é moderna até hoje – OP ART. E a tipografia foi usada para a Copa de 70 também. Foi feita a partir da combinação dos cinco anéis olímpicos e do ano. O design veio da colaboração de três artistas: Pedro Ramirez Vazquez, arquiteto e presidente do Comitê Organizador dos Jogos, Eduardo Terrazas (MEX) e Lance Wyman (EUA).

Toda a sinalização foi baseada principalmente com ícones tornando a linguagem universal.


 

Munique

Marca em preto e branco. Em contraposição, sua sinalização foi feita com paleta de cores fortes. É o “Sol Brilhante”. O objetivo era apresentar uma nova Alemanha democrática e otimista (pós-guerra). O designer Oil Atcher desenhou os pictogramas mais famosos de todos os tempos para esses jogos, que são inclusive, usados até hoje. É dele também o desenho do primeiro mascote oficial integrado a linguagem visual, Waldi.

 

Atenas

Identidade marcada pelo alinhamento e consistência.

Marca e pictogramas sub-humanos.

Considerado o melhor case em aplicação visual das olimpíadas. O mais correto. Inspirou até uma moeda comemorativa.

Rejeição imediata dos mascotes… eram bonecos milenares encontrados em escavações…. Mesmo sendo de terracotta tinham movimento…

Viraram pictogramas e a população entendeu seu significado, sendo um sucesso de vendas.

 

Vancouver 2010

Soma da força da marca Coca Cola-  patrocinadora desde 1928 – mais marca Jogos Olimpicos.

Foi a primeira vez que a Coca cola “vestiu” sua garrafinha com o Look of the games.

Todas as lanchonetes ou cafés tinham a mesma identidade nos menu boards.

Após os jogos, cada board foi usado pela coca para ser aplicado em outros lugares (trocando o “miolo”).

 

Medalhas: uma medalha diferente para cada atleta, feita de reciclagem de placas de computadores + metais nobres. Por conta disso cada atleta tinha uma medalha exclusiva, associada a ideia de que a participação de cada atleta foi essencial.

Reaproveitamento da sinalização, mesmo feitas com materiais reciclados, como madeira de reflorestamento. Preocupação com sustentabilidade.

 

 

Londres 2012

Uso da tipografia como linguagem visual, ela foi desenhada exclusivamente para o evento.

Muitos dos cartazes são feitos só com tipografia sem a marca e ainda assim é de facil identificação.

O campo de hóquei teve sua cor alterada para azul, com a area externa pink: paleta da identidade visual do evento… e a bolinha era amarela. No entanto, a mudança foi aprovada, pois ficou muito mais claro de se ver a bolinha nesse campo.

 

Rio 2016

Jogos olimpícos em agosto

Paralímpicos em setembro

 

É uma marca exclusivamente brasileira e sua concorrência foi Nacional.

Dentre 8 finalistas, a marca foi escolhida por unanimidade. Agência vencedora: Tatil

Dentre os itens do briefing (com 12 no total) estavam:

- refletir a cultura local

- sem estereotipos

- inovadora

- alinahda com valores olimpicos

- inspirar e emocionar

- dinâmica

- alegre

Marcas são feitas de corpo e alma.

CORPO é a cara da marca

ALMA é o conceito, as expressões

O corpo da marca rio 2016: baseada no povo e no modo fluido de sermos.

É uma marca tridimensional que reflete as formas da cidade de forma bem simples, qualquer pessoa que olhe a marca sabe o que ela é.

 

Criou um link emocional direto.

fácil aplicação + experimentação: estrutural – escultura

 

70% das pessoas aprovaram a marca 15 min após seu lançamento: a marca como escultura foi distribuída nas ruas e em um instituto para deficientes visuais, no Rio, para ver a reação das pessoas. Os deficientes visuais conseguiram “ver” a marca: acessibilidade.

O objetivo principal ao criar a marca (e como vai ser criada a identidade toda), se baseia em:

• Trabalhar a imagem do brasil fugindo dos clichés

• A marca representa a mudança no nosso país

• Provoca movimento e estimula transformação

 

 

Paula Chiuratto
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